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sexta-feira, 8 de julho de 2016

Clubes do RN relatam como aliciador propunha perda de partidas.

Em meio à operação Game Over no RN, ao menos dois clubes receberam contatos diretos de supostos aliciadores no começo deste ano.

“Prossigo a conversa?”. Foi esta a pergunta ouvida pelo vice-presidente do Baraúnas, Gilson Cardozo, feita por um homem que pode estar envolvido no esquema que manipula resultados de jogos de Futebol para lucrar em casas de apostas asiáticas e europeias, investigado na operação ‘Game Over’, deflagrada pela Polícia Civil, nesta quarta-feira (6).
No Rio Grande do Norte, ao menos dois clubes receberam contatos diretos de supostos aliciadores no começo deste ano.
A operação iniciada pela Polícia Civil de São Paulo cumpriu sete mandados de prisão temporária nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Ceará. No RN, um acusado não foi encontrado.
A quadrilha agia após o contato com os clubes, que poderiam ter sucesso ou não, a depender da ‘honestidade’ dos atletas, técnicos e dirigentes. O dinheiro pago ao time que aceitasse jogar para perder, de acordo com a Polícia, vem da Ásia, de países como China, Malásia e Indonésia.
RN na marca
Um suposto envolvido no esquema achou na dificuldade financeira enfrentada pelos clubes potiguares, que ameaçavam nem disputar o Campeonato Estadual por falta de recursos, uma oportunidade de oferecer o negócio ilícito. O contato com dirigentes potiguares era feito para oferecer uma espécie de patrocínio ao respectivo clube.
Conforme pôde constatar a reportagem do portalnoar.com, o aliciador pretendia oferecer patrocínio ao Alecrim. No entanto, como o clube de Natal já contava com uma parceria, que mais tarde seria rompida, o homem partiu para novas investidas. Dessa vez, no interior do estado.
As investidas
Vice-presidente do Baraúnas, Gilson Cardozo conta que recebeu a ligação do homem com número do telefone com DDD do Rio de Janeiro, de quem não sabe dizer o nome, e relata como a abordagem foi feita. “Ele falou de um grupo de investidores que tinha o interesse de investir no futebol de Mossoró”, relatou à reportagem.
Em meio às propostas do homem, Gilson resolveu perguntar o que o grupo de investidores receberia em troca. “Aí ele me disse que para receber a participação deles (investidores) a gente tinha que perder”, contou. A proposta irritou o dirigente que diz ter recusado e então ouvido do ‘investidor’ se a conversa poderia continuar.
“Quando ele falou, ‘prossigo com a conversa?’, falei que ia desligar o telefone e que não me ligasse mais. Foi o que fiz”, frisou Gilson.
O Leão do Oeste, como é conhecido o Baraúnas, não foi o único clube a receber o contato de um suposto aliciador. Na cidade de Goianinha, o presidente do Palmeira, Cláudio Freire (o Cal), estava em mais um dia de trabalho quando ouviu do então treinador da equipe, Marcos Ferrari, a informação de que um homem tinha entrado em contato com ele com a proposta de perder jogos.
“Jamais iria comungar com isso. Então pedi para ele (Ferrari) pedir para o homem me ligar. Quando ele me ligou, pedi para que nunca mais me ligasse e para ninguém do clube”, afirmou Cal ao portalnoar.com.
O jogo
Uma partida da última rodada do segundo turno do Campeonato Potiguar está sendo considerada suspeita. Trata-se da goelada do Globo sobre o já citado Palmeira por 5 a 1, em Ceará-Mirim. Os presidentes de ambos os clubes foram ouvidos pela reportagem e negam qualquer irregularidade.
“O Globo ganhou de 5 a 1? Qual a surpresa disso se lutamos pela vaga no Campeonato Brasileiro e o Palmeira era lanterna? Não sei o que acontece para que inventem uma história desta”, falou Marconi Barretto, presidente global, com tom de indignação.
Já Cal dá uma justificativa para a derrota de seu time: “era fim de campeonato, tínhamos mandado jogadores embora já. Aí deu nisso”. Àquela altura, o Palmeira já estava rebaixado à Segunda Divisão do futebol potiguar.
FONTE: PORTAL NO AR.COM

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